Cenário Macro

IPCA a 4,72%: como a inflação corrói seu patrimônio quando você não age

Em 10 anos com 4,72% ao ano, R$ 100.000 perdem R$ 37.300 de poder de compra. A poupança rende 6,17% — marginalmente acima. Onde colocar o dinheiro.

Contexto

Existe um ladrão silencioso na vida financeira de quem não faz nada com o dinheiro. Ele não avisa. Não aparece na extrato bancário. Não envia boleto. Mas atua todo mês, 12 meses por ano, e em 10 anos pode ter consumido mais de 40% do poder de compra de qualquer reserva não rentabilizada.

Esse ladrão tem nome: inflação. E hoje, medida pelo IPCA, está em 4,72% ao ano.

4,72% parece pouco. Não é.

Em 10 anos, uma inflação média de 4,72% ao ano reduz o poder de compra de R$ 100.000 a aproximadamente R$ 62.700 em valores reais. Ou seja: R$ 100.000 guardado sem rendimento hoje compra em 2036 o equivalente ao que R$ 62.700 compra hoje.

R$ 37.300 evaporaram sem que ninguém tocasse no dinheiro.

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O que acontece com quem deixa na poupança

A poupança rende hoje 6,17% ao ano mais TR — já que a Selic está acima de 8,5%. Com IPCA a 4,72%, o rendimento real da poupança é de aproximadamente 1,45% ao ano.

É um retorno positivo — mas apenas marginalmente. Em 10 anos, R$ 100.000 na poupança vira, em poder de compra real, aproximadamente R$ 115.500. Um ganho real de 15,5% em uma década.

Compare com o imóvel. Capitais brasileiras tiveram valorização imobiliária média acima de 5% ao ano real na última década. O ativo protegeu patrimônio com uma margem que a poupança não alcança.

O IPCA e o consórcio

A carta de crédito do consórcio imobiliário é reajustada pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) ou pelo IPCA, dependendo do grupo. Isso significa que o poder de compra da carta acompanha os reajustes do mercado imobiliário ao longo do prazo.

Quem começa um consórcio de R$ 400.000 hoje não terá uma carta de R$ 400.000 em 15 anos — terá uma carta reajustada que, em termos nominais, pode ser de R$ 700.000 ou mais. Mas que representa o mesmo poder de compra imobiliário que R$ 400.000 representam hoje.

Esse mecanismo protege o cotista da inflação imobiliária durante o período de acumulação.

O IPCA e quem tem dívida

Para quem tem dívida indexada ao IPCA, a inflação funciona no sentido oposto: o saldo devedor cresce junto com a inflação. Uma dívida de R$ 200.000 indexada ao IPCA cresce para aproximadamente R$ 209.440 em um ano com inflação de 4,72%.

O efeito é especialmente perverso em dívidas de longo prazo onde a amortização do principal é lenta.

O que fazer

Nenhum real deve ficar parado em conta corrente por mais de 30 dias. A perda de poder de compra a 4,72% ao ano é certa — e desnecessária.

A estratégia não exige sofisticação: Tesouro Selic para liquidez imediata, Tesouro IPCA+ para proteção de longo prazo, ativo imobiliário via consórcio para proteção e acumulação.

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