O que acontece com R$ 1.000 em cada produto de crédito após 12 meses? Do Tesouro Selic ao rotativo do cartão — a diferença é de 4.244%.
Contexto
Vamos fazer um exercício que nenhum banco faz por você. Vamos pegar R$ 1.000 de dívida e ver o que acontece com ela em cada produto de crédito disponível no Brasil em 2026 — após 12 meses sem pagamento.
Os números são do Banco Central do Brasil. Não são estimativas.
R$ 1.000 no cartão de crédito rotativo (424,5% ao ano — BCB, janeiro/2026)
Após 12 meses: R$ 5.245 Juros gerados: R$ 4.245 O banco multiplicou a dívida por 5,2 vezes em um ano.
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R$ 1.000 no cheque especial (134,2% ao ano — BCB)
Após 12 meses: R$ 2.342 Juros gerados: R$ 1.342 A dívida mais que dobrou.
R$ 1.000 em crédito pessoal não consignado (~70% ao ano)
Após 12 meses: R$ 1.700 Juros gerados: R$ 700 70% de custo em 12 meses sobre o saldo.
R$ 1.000 em financiamento de veículo (~27% ao ano — BCB)
Após 12 meses: R$ 1.270 Juros gerados: R$ 270 Alto, mas incomparável com o rotativo.
R$ 1.000 em crédito consignado privado (~26% ao ano)
Após 12 meses: R$ 1.260 Juros gerados: R$ 260 O crédito bancário mais barato para pessoa física.
R$ 1.000 no Tesouro Selic a 14,25% ao ano (para quem tem, não deve)
Após 12 meses: R$ 1.121 (bruto) / R$ 1.101 (líquido com IR) Rendimento: R$ 101 limpos.
O que essa simulação revela
A diferença entre o melhor produto para quem tem dinheiro (Tesouro Selic) e o pior produto para quem deve (rotativo do cartão) é de 4.244% em 12 meses sobre o mesmo valor de R$ 1.000.
Quem tem R$ 1.000 aplicados no Tesouro tem R$ 1.101 em 12 meses. Quem deve R$ 1.000 no rotativo do cartão, sem pagar nada, tem R$ 5.245 de dívida em 12 meses.
Essa diferença — entre o retorno do ativo mais conservador e o custo do passivo mais caro — é o maior imposto invisível que existe sobre o consumidor brasileiro sem educação financeira.
O que os 81,7 milhões de inadimplentes têm em comum
A maioria dos casos de inadimplência começa com um produto de crédito emergencial — cartão ou cheque especial — num momento de dificuldade. A dívida pequena cresce a 424% ou 134% ao ano enquanto a renda não acompanha.
O ciclo não começa com irresponsabilidade. Começa com um produto bancário projetado para ser conveniente no acesso e devastador no custo.
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